Mercado opera com lentidão, mas sustentação vem da escassez de animais e demanda externa; preços do boi gordo se mantêm firmes mesmo com consumo interno ainda contido O mercado físico do boi gordo segue em compasso de espera neste final de ano, num verdadeiro “clima de férias”.
A lentidão nas negociações é visível em quase todas as praças, com frigoríficos mais cautelosos nas compras e pecuaristas evitando fechar negócio abaixo de seus referenciais.
Mesmo assim, a arroba se mantém firme em R$ 325 no caso do “boi-China” em São Paulo, segundo levantamento da Scot Consultoria. Oferta enxuta e exportações ainda são o motor do mercado Segundo analistas da Agrifatto, a oferta de boiadas prontas para abate segue bastante limitada, o que ajuda a sustentar os preços, mesmo diante de um cenário de consumo interno ainda contido.
Com isso, os frigoríficos operam com escalas mais confortáveis, aproveitando o momento de baixa pressão compradora e se preparando para o período de menor atividade no fim de dezembro.
Apesar do comportamento travado nas praças, as exportações seguem como o grande trunfo do setor, ajudando a manter o equilíbrio entre oferta e demanda. Em São Paulo, por exemplo, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 320/@, enquanto o “boi-China” é negociado por R$ 325/@, com ágio de R$ 4/@.
Consumo interno ainda espera o “efeito churrasco”
No varejo, o consumo de carne bovina ainda não deslanchou. Conforme destacam os analistas da Agrifatto, os consumidores seguem priorizando as compras natalinas neste momento. A expectativa é de que apenas após o dia 20 de dezembro, com a chegada dos festejos de fim de ano e os tradicionais churrascos, haja um aquecimento mais perceptível da demanda interna.
Além disso, o atacado ainda apresenta preços acomodados, mas com viés de alta no curtíssimo prazo, impulsionado pela entrada do 13º salário e o aquecimento da economia doméstica.
O quarto traseiro é vendido a R$ 26,25/kg, o dianteiro a R$ 18,50/kg, e a ponta de agulha a R$ 18,20/kg. Mercado futuro do boi gordo e cenário externo Na B3, os contratos futuros também refletem um momento de oscilação.
O vencimento de janeiro/2026 fechou a R$ 321,50/@, com recuo de 0,29% em relação ao pregão anterior, segundo a Agrifatto.
Expectativas para o curto prazo
Com oferta enxuta, exportações ainda relevantes e expectativa de aumento do consumo interno com a chegada do Natal e do Réveillon, há espaço para que os preços da arroba se mantenham firmes ou até valorizem nos próximos dias. O ritmo das exportações no início de 2026 e o retorno da China ao mercado, porém, serão cruciais para definir o rumo da arroba no primeiro trimestre do próximo ano.
RuralNews

