Depois de ampliar em 21% o volume de carne bovina exportado no ano passado com 3,5 milhões de toneladas, a indústria brasileira deve enviar ao exterior volume similar neste ano, entre 3,3 e 3,5 milhões de toneladas.
Isso mesmo após a China ter anunciado, no fim de 2025, uma cota de 1,1 milhão de toneladas sem tarifação para a carne brasileira, conforme disse o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa. O volume é 35% inferior ao exportado pelo Brasil ao país asiático no ano passado. Volumes além da cota serão tarifados em 55%.
“Essa estimativa se dá em face de novos mercados abertos, novas possibilidades. Estamos falando da possibilidade de abertura do mercado japonês, intensificação do vietnamita, da viagem do governo brasileiro que pode acelerar a abertura da Coreia do Sul, conversas para abrir o mercado da Turquia”, disse Perosa durante coletiva de imprensa em São Paulo.
“É difícil substituir o mercado chinês porque o volume é grande, mas o Brasil exportou para 177 países no ano passado e ainda temos o crescimento econômico da Ásia”, acrescentou.
Perosa não descarta a possibilidade de importadores chineses comprarem volumes acima da cota estabelecida pelo governo local, com tarifa, tendo em vista a firme demanda chinesa por carne bovina, mas disse não acreditar em grandes volumes.
“É preciso avaliar como o mercado chinês vai reagir frente às cotas estabelecidas”.
Os volumes exportados para novos mercados, caso as aberturas se confirmem ao longo do ano, ainda devem ser pequenos tendo em vista o gradual amadurecimento das negociações comerciais entre os players dos países compradores com os brasileiros.
Quanto às negociações com a China, o executivo da Abiec deve ter uma nova reunião nesta terça-feira (20/1) com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a quinta da entidade com órgãos do governo só em 2026, para tratar de formas de mitigar os impactos da decisão chinesa para frigoríficos brasileiros.
Além de discutir possibilidades de linhas de crédito para pecuaristas e frigoríficos, abertura de novos mercados e reconhecimento de acordos sanitários, a Abiec também vem buscando mais informações sobre como a China vai implementar as salvaguardas – por exemplo, se a cota anual será distribuída em cotas periódicas ao longo do ano, o que contribuiria para evitar picos de exportação.
Globo Rural

