A definição da janela de plantio do milho segunda safra, a safrinha, é apontada como fator determinante para o desempenho da cultura em 2026. Apesar da previsão de chuvas na primeira quinzena de fevereiro no Centro-Oeste, a expectativa do setor é de que a capacidade operacional do produtor permita acelerar a colheita da soja e viabilizar a semeadura do milho dentro do período considerado adequado.
Além das condições climáticas, produtores relatam preocupação com a cigarrinha-do-milho, que deixou de ser um problema localizado e passou a ser tratada como um desafio de alcance nacional. Estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima prejuízos de US$ 25,8 bilhões entre as safras 2020/21 e 2023/24, com redução média de 22,7% na produção brasileira de milho, o equivalente a 31,8 milhões de toneladas por ano. Segundo a CNA, em quase 80% dos municípios analisados, produtores relataram perdas associadas à presença da praga e aos enfezamentos por ela transmitidos.
Em áreas mais suscetíveis, os impactos sobre a produtividade podem superar 70%, o que tem levado agricultores a ampliar os investimentos em estratégias de manejo. De acordo com dados do setor, os aportes em soluções de controle da cigarrinha cresceram cerca de 19% nas safras analisadas, refletindo a necessidade de mitigar os riscos fitossanitários ao longo do ciclo da cultura.
Para a IHARA, o problema extrapola os limites da propriedade rural e afeta a competitividade do país no mercado internacional. Segundo o engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da empresa, Valdumiro Garcia, “o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho e um dos principais exportadores. Problemas fitossanitários como a cigarrinha afetam não só o agricultor, mas também a competitividade do país. O manejo precisa começar cedo e ser integrado, com híbridos tolerantes, tratamento de sementes, monitoramento constante e aplicações de inseticidas no momento correto”.
A relevância da segunda safra aumentou nas últimas décadas, especialmente no Centro-Oeste, e atualmente a safrinha responde pela maior parcela da produção nacional de milho. Projeções da StoneX indicam produção de 106,3 milhões de toneladas para a segunda safra, enquanto a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima 110,5 milhões. Em Mato Grosso, principal estado produtor, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta área de 7,39 milhões de hectares, com alta de 1,83%, e produção de 51,72 milhões de toneladas.
Mesmo com estimativas elevadas de produção, analistas avaliam que o desempenho da safrinha em 2026 dependerá da regularidade das chuvas e da eficiência no controle da cigarrinha ao longo do desenvolvimento da lavoura. Com o plantio concentrado entre fevereiro e março, após a colheita da soja, técnicos do setor reforçam a importância do monitoramento contínuo e do manejo fitossanitário nos estágios iniciais da cultura. No mercado de insumos, a empresa informa que dispõe de ferramentas para o controle da cigarrinha-do-milho. O inseticida ZEUS apresenta ação translaminar e sistêmica, com atuação por contato e ingestão. Avaliações de campo citadas pela IHARA indicam 61% de efetividade no primeiro dia após a aplicação e 57% no terceiro dia, em comparação com áreas sem tratamento.

