No Pantanal, uma estrada não serve apenas para tirar o gado da fazenda ou fazer a produção chegar ao mercado. Para James Bernardino Honório Lyrio, da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável, ela também significa conseguir levar trabalhadores até um atendimento de saúde — uma diferença concreta em uma região onde as distâncias pesam sobre praticamente todos os aspectos da vida.
“O Pantanal sempre foi deixado de lado, e hoje nós somos lembrados muito bem com o nosso governador”, afirmou Lyrio durante encontro de lideranças do setor produtivo com Eduardo Riedel (Progressistas), governador e candidato à reeleição. Segundo ele, além das melhorias nas estradas, mudou também a relação do poder público com os produtores. “É uma pessoa diferente de todos que já passaram. O setor sente a diferença, é visível”, avaliou.
A experiência relatada pelo pecuarista ajuda a traduzir uma das mensagens que Riedel levou ao encontro: crescimento econômico só ganha dimensão social quando investimentos, empresas e políticas públicas conseguem modificar a vida cotidiana. Diante de representantes do agronegócio, indústria, pecuária, logística e florestas plantadas, o governador apresentou indicadores de Mato Grosso do Sul e defendeu a continuidade de um modelo baseado em equilíbrio fiscal, investimento público, qualificação profissional e parceria com a iniciativa privada.
“O princípio essencial é promover crescimento e desenvolvimento, promover emprego e renda através da confiança em relação ao capital privado, através da credibilidade, da segurança jurídica e da capacidade das pessoas entenderem que o Estado tem que ser um aliado e não um obstáculo”, afirmou Riedel.
Segundo os dados apresentados pelo governador, Mato Grosso do Sul cresce acima da média nacional pelo quarto ano consecutivo e mantém uma taxa de investimento público entre 12% e 15% da receita. Riedel comparou esse desempenho à média dos estados brasileiros, próxima de 9%, e destacou que a capacidade de investimento foi preservada sem aumento do ICMS.
Para o governador, equilíbrio das contas públicas, investimento privado, consumo e renda das famílias e desempenho da balança comercial fazem parte de uma engrenagem que precisa funcionar em conjunto. O desafio agora, sustentou, é fazer com que os resultados econômicos se transformem cada vez mais em empregos, qualificação e mobilidade social.
Formação para os empregos que estão surgindo
A educação profissional aparece nessa estratégia como uma ponte entre os investimentos que chegam ao Estado e a capacidade dos sul-mato-grossenses de ocupar as novas vagas.
Riedel afirmou que, a partir do próximo ano, 60% dos estudantes do terceiro ano do ensino médio da rede estadual deverão concluir essa etapa também com formação técnica, dentro de um conjunto de 92 áreas de conhecimento oferecidas.
“Aí a capacidade de absorver pelo mercado de trabalho é muito maior, a renda é maior, e aí está o ciclo do crescimento: tecnologia, formação profissional e credibilidade do capital privado”, explicou.
A aposta está diretamente relacionada à expansão de setores que vêm aumentando a demanda por trabalhadores qualificados, como indústria, celulose, logística, agroindústria e novas cadeias de energia.
O presidente da Fiems, Sérgio Longen, destacou que a indústria sul-mato-grossense emprega aproximadamente 200 mil trabalhadores diretamente e já ocupa a posição de segunda maior atividade econômica do Estado. Na avaliação dele, a relação entre governo e setor produtivo ajudou a construir um ambiente favorável à expansão dos negócios.
“Muitos estados vêm a Mato Grosso do Sul para avaliar exatamente o que aconteceu aqui, por estar nessa condição de ambiente favorável aos negócios”, afirmou Longen.
Crescimento e mobilidade social
Os números sociais também fizeram parte da apresentação. De acordo com Riedel, a taxa de extrema pobreza caiu de 2,4% para 1,6% em Mato Grosso do Sul. Ainda existem, segundo ele, aproximadamente 30 mil famílias em situação de vulnerabilidade, e a meta apresentada pelo governo é avançar até a eliminação da extrema pobreza.
Para Riedel, uma das principais ferramentas para alcançar esse objetivo é ampliar as oportunidades de trabalho e renda.
Outro indicador destacado pelo governador foi a mobilidade social. Segundo os dados apresentados no encontro, Mato Grosso do Sul ocupa a primeira posição nacional na capacidade de permitir que pessoas avancem de faixa social.
“É a chance de uma pessoa mudar seu status social, a garantia de que o filho de uma pessoa com renda menor vai ter oportunidade de não ter a mesma condição social dos pais”, explicou.
Na avaliação do governador, educação e expansão econômica são os dois pilares capazes de sustentar esse movimento ao longo dos próximos anos. Quando uma família amplia sua renda, argumentou, os efeitos também chegam ao comércio, aos serviços e a outros setores da economia.
Estradas que ligam produção e pessoas
É na infraestrutura que essa relação entre grandes números e vida cotidiana aparece de maneira mais visível.
Riedel afirmou que há cerca de R$ 1,5 bilhão em investimentos em estradas e que a proporção de rodovias pavimentadas avançou de 74% para 83%. Entre as intervenções citadas estão ligações que atendem regiões de Taboco, Terenos, Dois Irmãos do Buriti, Coxim e Corumbá, dentro de uma estratégia de formação de corredores para o escoamento da produção.
O governador também destacou a hidrovia do Rio Paraguai, por onde, segundo os números apresentados, passam aproximadamente 14 milhões de toneladas. A defesa é de uma ampliação da logística que consiga combinar aumento da produção com redução de impactos ambientais e emissões.
Para quem vive diariamente da movimentação de cargas, essas mudanças já alteram a perspectiva dos negócios.
Rodrigo Possari, empresário do setor de transporte e logística, apontou que novas rodovias, rotas e modais ampliam as alternativas de circulação dentro do Estado.
“Então o Estado vem aproveitando essa capilaridade que ele tem aí, do Rio Paraguai com mais navegação, rodovias ampliando, e as ferrovias começando a deixar de ser um sonho do passado a ser um presente pro futuro”, avaliou.
Possari considera que a infraestrutura em construção funciona como uma plataforma capaz de beneficiar tanto grandes investimentos que chegam a Mato Grosso do Sul quanto empresas já instaladas no Estado.
Empresas enxergam espaço para crescer
O empresário João Paulo Piotto, que atua com exportações no setor de nutrição animal, também atribuiu ao ambiente econômico estadual parte das decisões de investimento empresarial.
“O ambiente aqui é totalmente favorável ao negócio. O Governo te atende, é um Governo pró-empresário e pró-emprego”, afirmou.
Piotto destacou incentivos e regras voltadas à exportação como fatores que, em sua avaliação, ajudam empresas a permanecer no Estado, ampliar investimentos e contratar trabalhadores. Também comparou a busca empresarial por oportunidades em Mato Grosso do Sul ao movimento de companhias que analisam vantagens competitivas oferecidas pelo Paraguai.
No setor de florestas plantadas, o diretor-executivo da Reflore MS, Benedito Mário Lázaro, chamou atenção para outra transformação regional. Segundo ele, a expansão do eucalipto contribuiu para recuperar áreas degradadas, diversificar atividades econômicas e gerar empregos.
Lázaro citou o chamado Vale da Celulose e a recuperação de estradas em 14 municípios, além das perspectivas abertas por cadeias como biomassa e etanol de milho.
“Essas empresas vêm com certificação, e o nosso grande objetivo é gerar dignidade às pessoas que trabalham no segmento”, afirmou.
O próximo ciclo
Ao final do encontro, Riedel pediu que representantes empresariais participem do debate sobre os rumos de Mato Grosso do Sul e defendeu que a discussão eleitoral seja concentrada em projetos para o Estado, e não em ataques pessoais.
“A gente quer discutir o Estado, discutir o que vem construindo ao longo do tempo”, afirmou.
As manifestações das lideranças presentes revelaram apoio à continuidade do atual projeto de governo, mas também indicaram onde estão as expectativas para os próximos anos: mais infraestrutura, profissionais qualificados, segurança para investir e condições para que o crescimento econômico alcance diferentes regiões.
No Pantanal, essa discussão retorna à imagem apresentada por James Lyrio no início do encontro. Entre índices de investimento, expansão industrial e projeções econômicas, uma estrada continua tendo um significado muito concreto: é por ela que a produção sai, mas também é por ela que um trabalhador pode chegar ao médico. É nesse encontro entre economia e vida cotidiana que o crescimento do Estado será, afinal, medido.
