A China divulgou suas diretrizes para 2026 e sinalizou uma mudança relevante na estratégia para o setor agropecuário. Segundo avaliação de Gustavo Spadotti A. Castro, chefe-geral da Embrapa Territorial, o foco deixa de ser a expansão pura e simples do volume produzido e passa a priorizar qualidade, inovação tecnológica e integração entre produção doméstica e importações. O movimento marca o início do 15º Plano Quinquenal, previsto para o período de 2026 a 2030, com a proposta de transformar o campo em uma indústria de alta tecnologia.
Atualmente, o país mantém a produção de grãos estabilizada em 700 milhões de toneladas, cerca de 50 milhões acima da antiga linha considerada crítica. Apesar disso, ainda depende de importações expressivas, que somaram 207 bilhões de dólares em 2025, especialmente para suprir demandas por soja, carnes e lácteos. A nova diretriz aponta para a produção de variedades demandadas pelo mercado e com maior valor agregado, capazes de alcançar preços premium.
Na análise de Spadotti, Pequim passa a tratar o campo como uma indústria moderna em larga escala, apoiada em inteligência artificial, robótica, drones e internet das coisas, as chamadas novas forças produtivas. Outro ponto central é a coordenação entre importações e produção doméstica, com o objetivo de proteger o mercado interno e reduzir vulnerabilidades externas. A diversificação de fornecedores também é destacada para evitar dependência excessiva de poucos países.
O plano inclui ainda a continuidade da modernização rural, com foco em infraestrutura, serviços públicos e governança, buscando impedir o retorno da população à pobreza. Para o Brasil, a avaliação é que não basta atuar como fornecedor de excedentes. Na Embrapa Territorial, a estratégia é fortalecer a competitividade e a sustentabilidade por meio de inteligência territorial e soluções digitais, convertendo gargalos logísticos em ganhos de eficiência e mitigação de riscos, em sintonia com a nova agenda chinesa de resiliência agrícola.
Agrolink

