A produtividade agrícola é fortemente condicionada pelo ambiente, e o clima se destaca como um dos fatores mais determinantes dos rendimentos alcançados nas lavouras. De acordo com análises apresentadas por Bárbara Faria Sentelhas, membro efetiva do CESB e CEO da Agrymet, essa influência pode responder por até metade da produtividade final, especialmente na cultura da soja.
A sojicultura apresenta elevada sensibilidade às variações climáticas, o que amplia os riscos produtivos em cenários de instabilidade. Eventos extremos, como veranicos prolongados, excesso de chuvas em fases críticas e temperaturas elevadas, têm impacto direto no desenvolvimento das plantas. Entre esses fatores, o déficit hídrico é apontado como o mais crítico, principalmente durante o florescimento e o enchimento de grãos, quando períodos curtos de seca já são suficientes para gerar perdas expressivas.
Estudos citados no material indicam que áreas produtoras do Cerrado e do Sul do país enfrentam aumento na frequência de veranicos e maior irregularidade na distribuição das chuvas, comprometendo o potencial das lavouras. Soma-se a isso o fato de a soja apresentar limites fisiológicos estreitos, com temperaturas acima de 36 °C favorecendo o abortamento floral e a redução do número de vagens.
“Diante dos cenários de extremos climáticos cada vez mais frequentes, podemos escolher entre enxergar apenas o desafio ou encarar a oportunidade de construir um futuro mais sustentável e próspero para a agricultura. A sojicultura brasileira tem à disposição conhecimento técnico, inovação genética, ferramentas de manejo e inteligência climática para transformar riscos em soluções. O caminho não é simples, mas é viável, e passa por decisões mais estratégicas no presente, com foco em adaptação, planejamento e uso eficiente dos recursos naturais. É assim que garantimos a continuidade da produtividade, a segurança alimentar e a resiliência do agronegócio brasileiro”, conclui.

