Conservar para gerar renda: Riedel aposta em ativos ambientais para proteger biomas de MS

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Para quem conserva a vegetação nativa, a política ambiental pode chegar à rotina por dois caminhos que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, pretende aproximar: as regras de proteção e a possibilidade de transformar a própria conservação em valor econômico. É nessa junção que Riedel coloca uma das apostas para 2027–2030: remunerar serviços ambientais, estruturar mercados ligados ao carbono, restaurar áreas protegidas e estimular novas cadeias de renda vinculadas à biodiversidade.

Entre 2023 a 2026, a Lei do Pantanal, os primeiros Programas de Pagamento por Serviços Ambientais e a criação da MS Ativos Ambientais foram as bases de uma política que tenta fazer preservação e desenvolvimento econômico caminharem juntos. “O Estado Verde floresce da conciliação entre crescimento e preservação ambiental”, pontua o governador.

Conservar passa a ter valor econômico

A Lei Estadual nº 6.160/2023 associa preservação e desenvolvimento sustentável à remuneração de produtores rurais que conservam o bioma. Ao lado da lei, o Estado estruturou os primeiros Programas de Pagamento por Serviços Ambientais voltados à conservação da vegetação nativa e registra apoio a brigadas comunitárias de prevenção e combate aos incêndios florestais.

Essa lógica procura aproximar a política ambiental da vida de quem mora, produz e protege o território. Em vez de tratar a biodiversidade somente como patrimônio a ser preservado, a estratégia defendida por Riedel busca atribuir valor econômico aos serviços ambientais e abrir espaço para que conservação e restauração também possam ser relacionadas a renda, investimentos e desenvolvimento regional.

A criação da MS Ativos Ambientais integra esse desenho. A iniciativa abriu uma nova etapa na gestão dos ativos ambientais estaduais, preparando Mato Grosso do Sul para acessar mercados de carbono, desenvolver projetos de restauração ecológica, ampliar a bioeconomia e transformar a conservação da biodiversidade em fonte de renda e investimentos.

Mas essa frente ainda precisa avançar. Entre as ações propostas para 2027–2030 está justamente implantar integralmente a operação da MS Ativos Ambientais, atribuindo à estrutura os programas de gestão, valoração e exploração dos ativos ambientais. O próximo mandato também deverá consolidar a bioeconomia como vetor de desenvolvimento, incentivar cadeias baseadas no uso sustentável da biodiversidade, estimular novos negócios e atrair investimentos ligados à economia verde.

O salto pretendido, portanto, é de escala. O primeiro mandato protagonizou um período de criação de instrumentos e abertura desse novo campo econômico. O próximo deverá ampliar sua operação e conectá-lo de maneira mais intensa à produção, aos investimentos e à geração de renda. “É nesse ponto que a preservação deixa de ocupar apenas o espaço da política ambiental e passa a integrar também a estratégia de desenvolvimento”, aponta Riedel.

Do Pantanal para todos os biomas

A ampliação proposta não se limita ao Pantanal. Entre 2027 e 2030, Riedel pretende consolidar e expandir os Programas de Pagamento por Serviços Ambientais para todos os biomas presentes no Estado. O plano também prevê fortalecer políticas de conservação da biodiversidade, ampliar os mecanismos de valorização econômica dos ativos ambientais, estimular mercados relacionados a esses ativos e modernizar a gestão das unidades de conservação.

Nesse conjunto, duas áreas protegidas aparecem com compromisso específico. A proposta é realizar a restauração do Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari e do Parque das Várzeas do Rio Ivinhema, explorando os créditos de carbono oriundos dessa restauração. A medida liga diretamente recuperação ambiental a um instrumento econômico e insere a restauração, no desenho do plano, em uma cadeia capaz de gerar valor a partir da conservação.

A bioeconomia funciona como outra ponte. O governador pretende estimular modelos produtivos capazes de gerar valor a partir da biodiversidade, dos serviços ecossistêmicos e da inovação, além de ampliar iniciativas de economia circular e incentivar tecnologias de baixo carbono. A sustentabilidade passa, assim, a ocupar espaço na estratégia de competitividade do Estado, com a perspectiva de ampliar oportunidades de investimento, renda e inserção em mercados nacionais e internacionais.

Para Riedel, essa agenda está ligada à própria concepção de desenvolvimento que atravessa sua proposta para o próximo mandato. Crescimento econômico e responsabilidade ambiental não aparecem como políticas isoladas. “A aposta é fazer com que proteção do patrimônio natural, novos negócios e valorização dos ativos ambientais avancem no mesmo território”, sustenta.

Isso também muda a maneira como a conservação chega à vida cotidiana. Para quem mantém a vegetação nativa, a possibilidade de remuneração por serviços ambientais acrescenta uma dimensão econômica à preservação. Para o Estado, a biodiversidade passa a ser tratada simultaneamente como patrimônio a proteger e como ativo capaz de sustentar novas atividades e investimentos.

Regras mais claras e gestão digital

A tentativa de transformar ativos ambientais em oportunidade econômica depende de uma segunda frente: modernizar a gestão ambiental. Mato Grosso do Sul avançou na digitalização de processos, na validação do Cadastro Ambiental Rural e na regulamentação de instrumentos de licenciamento, com o propósito de tornar os procedimentos mais eficientes, transparentes e previsíveis sem renunciar à proteção dos recursos naturais.

Para o próximo mandato, a estratégia é aprofundar essa digitalização e integrar os processos ambientais. Riedel propõe implantar uma plataforma de transparência ambiental voltada ao atendimento das exigências dos mercados internacionais em relação à produção livre de desmatamento, aperfeiçoar o uso de inteligência de dados, consolidar instrumentos de planejamento territorial, reduzir prazos administrativos e ampliar a previsibilidade dos procedimentos.

O Plano de Governo combina essa busca por agilidade com reforço do monitoramento e da fiscalização. Entre as ações estão integrar os instrumentos de ordenamento territorial e conservação ambiental, ampliar a segurança jurídica para cidadãos e investidores e fortalecer mecanismos de fiscalização inteligente. A lógica apresentada é a de que desenvolvimento econômico e proteção ambiental não precisam ocupar lados opostos: a gestão deve oferecer procedimentos mais previsíveis enquanto mantém a conservação como parte da própria estratégia de crescimento.

Essa é também uma área em que a continuidade administrativa aparece com nitidez. A gestão de 2023 a 2026 é apresentada como etapa de construção do marco ambiental, dos primeiros programas de pagamento por serviços ambientais e da estrutura voltada aos ativos ambientais. O ciclo seguinte pretende consolidar o funcionamento desses instrumentos, ampliar sua presença territorial e conectá-los aos mercados capazes de atribuir valor econômico à conservação.

Uma nova renda ligada à paisagem

Se essa estratégia ganhar escala, o efeito pretendido não ficará restrito às estruturas do governo ou aos mercados de carbono. O sentido prático está em fazer com que conservar uma área, participar da restauração ou integrar cadeias econômicas ligadas à biodiversidade também possa representar oportunidade de renda e atividade econômica para quem vive e produz em Mato Grosso do Sul.

A necessidade de implantar integralmente a MS Ativos Ambientais, ampliar o pagamento por serviços ambientais, modernizar unidades de conservação e restaurar parques mostra que parte importante dessa agenda pertence ao próximo ciclo. “Nosso desafio é fazer os instrumentos já iniciados ganharem escala e chegarem a mais territórios”, diz o candidato.

É nesse ponto que a proposta de Riedel procura dar significado econômico ao patrimônio natural de Mato Grosso do Sul. Para quem conserva a vegetação, trabalha no campo, protege o território ou participa de novas cadeias sustentáveis, a política pretende fazer com que biodiversidade, restauração e serviços ambientais integrem também as possibilidades de desenvolvimento. O futuro depende dessa aproximação: preservar a riqueza natural e, ao mesmo tempo, criar oportunidades para quem participa de sua conservação.

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