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Escola do leite e bem-estar da vaca no Agro de Primeira MS

Mato Grosso do Sul vai ganhar um Centro de Excelência do Leite, na prática, uma escola para ensinar desde a maneira correta de se fazer uma ordenha até as técnicas mais avançadas de produção dos derivados lácteos. Tudo sem deixar de lado os cuidados com o bem-estar das vacas.

O presidente do Núcleo Girolando de Mato Grosso do Sul, Alessandro Oliva Coelho, fala sobre a novidade no Agro de Primeira MS desta semana.

“As pessoas têm de saber das individualidades dos animais, como elas têm de ser tratadas. Não pode bater, não pode gritar, não pode puxar mal. Calma, o gado é o bicho da paz”, diz o produtor que teve, recentemente, uma vaca de 12 anos dando à luz a dois bezerros.

O centro é uma parceria entre o Núcleo Girolando MS, a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) e o Sicoob. As instalações vão funcionar no Parque de Exposições Laucídio Coelho com espaço para capacitações e laboratórios para todos os tipos de produtos lácteos.

A data de instalação, no entanto, ainda não foi divulgada.

Alessandro Coelho é produtor de Girolando, gado que representa 80% da produção de leite nacional.

A raça surgiu no Brasil por volta da década de 1940, no Vale do Paraíba (SP), a partir do cruzamento entre as raças Gir e Holandesa. Do Gir, herdou adaptação ao clima tropical e a rusticidade; do holandês, a elevada produção leiteira. O reconhecimento oficial da raça foi decretado em 1º de fevereiro de 1996. Entre suas principais características estão produtividade, longevidade, fertilidade e capacidade de adaptação a diferentes climas e manejos.

“A média de uma vaca leiteira de outras raças é de quatro a sete litros por dia. A Girolando chega entre 18 e 20. Aí você a potência dessa raça”, afirma.

O presidente do Núcleo Girolando é dono de uma vaca que chegou a dar mais de 60 litros. A “Nudi” tem 12 anos e ainda fornece 18 litros de leite por dia. Além de ter alcançado a façanha de ter parido, recentemente, duas novilhas gêmeas.

Carinho com as vacas

A pecuária leiteira, segundo Coelho, só funciona com um tratamento diferenciado para as vacas. O pecuarista fala com carinho de seus animais.

“Uma vez eu estava gravando uma entrevista com o Edevaldo (Nascimento, apresentador do Mais Agro), era dia dos pais, eu estava meio emocionado. Aí uma vaca chegou e começou a mexer assim na minha cabeça, a mexer aqui do lado, no meu rosto. Aquilo lá pra mim, eu engasgava”, relembra.

Ele destaca que elas são animais de paz, por isso, no recinto onde ficam, ele não permite gritaria e de jeito algum aceita qualquer tipo de violência no manejo dos animais.

“O anima sente a gente. Eu falo, eu chegou num rodeio de vaca, elas falam comigo. Eu vou saber o que aconteceu com elas porque elas vão me contar. É só você ficar paradinho, prestando a atenção nelas. Se ela não estiver bem, ela vai me contar”, diz.

Leite Fresco nas escolas

A preocupação não é só com os animais. Alessandro é um dos idealizadores do programa Leite Fresco, que promete melhorar a renda dos produtores.

Aprovado em primeira votação na Câmara Municipal de Campo Grande, o Programa Municipal de Suplementação Alimentar com Leite e Derivados Frescos vai permitir à prefeitura da capital comprar leite de produtores da cidade para serem usados, principalmente, na merenda escolar.

Isso, segundo Coelho, garante ganhos aos produtores durante todo o ano.

Genética e importação de leite

O podcast também aborda o melhoramento genético como forma de aumentar a produtividade do gado e a concorrência do leite em pó importado.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) chegou a pedir uma investigação ao governo federal sobre dumping, porque, segundo a entidade, o produto estrangeiro estaria sendo vendido no mercado brasileiro a preços abaixo do custo de produção ou do valor praticado no país de origem. Isso gera uma concorrência considerada desleal com os produtores nacionais.

A reivindicação também pede medidas de proteção ao produto nacional, já que a indústria acaba utilizando o produto de menor valor.

Coelho afirma que o consumidor também pode estar sendo lesado na operação.

“Chega esse leite em pó nos portos naqueles volumes gigantes, aí você olha na latinha tem traços de nozes, traços de sorgo, tem traços de soja. Ué, mas não era leite? Ou é um composto? Essa fiscalização a gente não tem”, afirma.

Ele também aborda a medida que proibiu o uso da palavra “leite” em produtos que não sejam originados da secreção mamária das fêmeas mamíferas. O que veta o uso de expressões em embalagens como “leite de soja”, “leite de amêndoas”, por exemplo.

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