Miguel tinha acabado de enfrentar 39 dias de internação quando começou uma nova etapa de cuidados. Nascido prematuro, após uma gestação gemelar interrompida com 30 semanas e dois dias, ele passou pela UTI Neonatal e pela Unidade de Cuidados Intermediários. Foi ainda no hospital que recebeu as primeiras vacinas.
Depois da alta, sua mãe, a farmacêutica Ana Carolina Watanabe, recebeu da pediatra Tatiane Menezes uma orientação importante: por ter nascido prematuro, Miguel tinha direito a vacinas especiais oferecidas pelos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
“Quando saímos do hospital, a doutora Tatiane Menezes me orientou que o Miguel teria direito às vacinas especiais, indicadas para prematuros, justamente para diminuir as chances de reações adversas. Então procurei o CRIE do Hospital Regional, me informei sobre o procedimento e, desde então, fazemos lá todas as vacinas às quais ele tem direito”, relata.
Hoje, com 1 ano e 4 meses, Miguel está com todas as vacinas previstas para sua idade em dia. A experiência da família ajuda a traduzir para a vida cotidiana um indicador que colocou Mato Grosso do Sul em posição de destaque nacional: em 2025, o Estado recebeu nota 100 e alcançou o primeiro lugar do país no indicador de cobertura vacinal do Ranking de Competitividade dos Estados.
Sob a gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com mais de 2,5 milhões de doses aplicadas em crianças, adolescentes, adultos, gestantes e idosos. O resultado reúne o trabalho do Estado, dos municípios e do Governo Federal na distribuição dos imunizantes, acompanhamento das coberturas, capacitação de profissionais e realização de campanhas.
A nota máxima, porém, não significa que 100% das crianças receberam todas as vacinas previstas no calendário. Ela indica que Mato Grosso do Sul obteve o melhor desempenho relativo entre os estados no indicador analisado. A cobertura precisa continuar sendo acompanhada vacina por vacina, dose por dose e município por município.
Da caderneta ao indicador nacional
No balanço estadual com registros até 1º de outubro de 2025, Mato Grosso do Sul apresentava cobertura de 104,68% para a BCG, 103,80% para hepatite B após os primeiros 30 dias de vida, 96,23% para a pneumocócica e 96,28% para a primeira dose da tríplice viral. A vacinação contra o rotavírus estava em 93,51%, próxima, mas ainda abaixo da meta de 95%.
Percentuais superiores a 100% não significam que crianças tenham recebido doses além do necessário. A cobertura administrativa compara o número de doses aplicadas com a estimativa da população que deveria ser vacinada. O índice pode superar 100 quando o número de crianças atendidas é maior que o previsto ou quando um município vacina moradores de outras localidades.
A evolução também aparece na comparação entre 2023 e 2024. A cobertura contra a poliomielite passou de 92,44% para 99,21%. A primeira dose da tríplice viral subiu de 98,90% para 105,21%, enquanto a pneumocócica avançou de 94,77% para 102,21%.
Mas esses percentuais dependem, na prática, de uma rotina muito mais simples e próxima das famílias: saber quais doses estão faltando, encontrar tempo para ir ao posto, compreender os reforços necessários e manter o acompanhamento.
No caso de Miguel, além das vacinas oferecidas pelo CRIE, as demais doses do calendário do Sistema Único de Saúde foram aplicadas em unidades básicas de saúde e, em alguns casos, em clínicas particulares.
Para Ana Carolina, manter esse cuidado é uma forma de prevenir doenças e reduzir riscos.
“Eu acredito muito na importância da vacinação para prevenir doenças que hoje estão erradicadas ou controladas no Brasil, além de reduzir o risco de contágio e do agravamento de possíveis doenças com as quais a criança possa ter contato”, afirma.
Uma rede que precisa funcionar antes da doença
A vacinação é uma das formas mais diretas de saúde preventiva. Ela atua antes dos sintomas, reduzindo o risco de contaminação, complicações, internações e sequelas. Para as famílias, também pode significar menos sofrimento e menor necessidade de deixar o trabalho para acompanhar uma criança doente. Para o SUS, representa menor pressão sobre postos, unidades de pronto atendimento e hospitais.
Riedel afirma que o resultado depende de uma cadeia que começa antes da chegada da família ao posto.
“Esse resultado depende de uma cadeia que começa antes de a família chegar ao posto. As vacinas precisam ser recebidas, conservadas na temperatura correta, distribuídas aos municípios, registradas nos sistemas oficiais e aplicadas por profissionais capacitados. Depois, os dados precisam mostrar quais crianças completaram o esquema e onde ainda existem falhas”, explica o governador, que é pré-candidato à reeleição.
Dentro do SUS, a responsabilidade é compartilhada. Ao Estado cabe coordenar a rede regional, acompanhar indicadores, apoiar tecnicamente os municípios e organizar respostas quando uma cobertura começa a cair. Durante o governo Riedel, a imunização passou a ser tratada como política permanente de gestão, para além das campanhas de vacinação.
O acompanhamento também precisa continuar depois da primeira dose. Diversas vacinas exigem reforços ou esquemas com duas ou três etapas. Nesse percurso, famílias podem esquecer datas, mudar de endereço, perder a caderneta ou acreditar que uma única aplicação encerra o processo. A orientação dos profissionais e o acompanhamento pela atenção básica tornam-se, então, parte do esforço para manter a proteção.
Vacinação como ferramenta de saúde pública
Para o coordenador de Imunização da Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul, Frederico Moraes, a vacinação está entre as ferramentas de maior custo-efetividade disponíveis para a saúde pública.
Segundo ele, as vacinas estimulam o sistema de defesa do organismo e ajudam no combate a doenças provocadas por vírus e bactérias.
“Nós temos observado a erradicação, o controle e a eliminação de doenças que foram importantes, que acometeram grandes populações, como a poliomielite, o sarampo, a febre amarela, entre outras. Todas essas vacinas que são ofertadas no âmbito do SUS são seguras, eficazes e estão disponíveis de forma gratuita em todas as salas de vacina, especialmente aqui no Mato Grosso do Sul”, afirma.
Frederico também destaca a retomada das coberturas vacinais e cita resultados obtidos por imunizantes aplicados desde os primeiros dias de vida.
Vacinas como BCG, destinada à prevenção das formas graves da tuberculose, e hepatite B, oferecidas ainda no nascimento, atingiram índices superiores a 100% no Estado.
“Nós temos observado coberturas acima de 95% em vacinas importantes, como a vacina contra o HPV, que é ofertada para adolescentes, vacina que protege contra o rotavírus, pneumocócicas e meningocócicas, e ainda boas coberturas vacinais em vacinas que são estratégicas, epidemiologicamente falando, como a vacina contra o sarampo e a poliomielite”, pontua.
Liderança não elimina os desafios
A primeira colocação nacional funciona como referência, mas não encerra o trabalho. Uma cobertura estadual elevada pode conviver com municípios, bairros ou grupos sociais abaixo da meta. O desempenho também não é uniforme entre todos os imunizantes.
O índice de 93,51% registrado para o rotavírus no balanço parcial de 2025 exemplifica esse desafio: mesmo um Estado na liderança nacional precisa continuar procurando quem ainda não completou a vacinação.
A manutenção dos resultados depende, portanto, de acompanhar a cobertura, identificar lacunas, organizar a distribuição, apoiar os municípios e corrigir falhas.
“Não se trata de afirmar que todos os problemas foram resolvidos, mas de demonstrar que existe uma rede capaz de reconhecê-los e agir antes que a redução da vacinação permita o retorno de doenças controladas”, afirma Riedel.
Para o governador, o desafio do próximo ciclo é preservar o que funcionou e fazer a proteção chegar com a mesma intensidade a todas as regiões, mantendo o abastecimento, melhorando os registros, acompanhando as doses de reforço e aproximando a vacinação da rotina das famílias.
Para Ana Carolina, porém, o resultado de toda essa estrutura cabe em algo bem menor que uma planilha ou um ranking: a caderneta de Miguel.
“O Miguel tomou todas as vacinas do calendário vacinal e todas estão em dia. Isso me traz tranquilidade e a certeza de que estamos fazendo o melhor para proteger a saúde dele”, conclui.
