A escalada das tensões no Oriente Médio volta a gerar instabilidade no mercado global de fertilizantes e acende alerta para o agronegócio. A análise é de Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, que acompanha os impactos recentes sobre preços e oferta.
Em poucos dias, os reflexos já aparecem. A ureia subiu mais de 15% e o nitrato de amônio avançou cerca de 28%, enquanto fornecedores internacionais retiraram ofertas diante da incerteza. O movimento está ligado ao peso da região na produção global, responsável por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia e por parcelas relevantes de amônia, enxofre e fosfatados.
Esse cenário cria um risco estrutural de oferta, agravado por sinais como redução da produção de nitrogenados no Catar, restrições na navegação no Estreito de Ormuz e maior volatilidade nos mercados de energia e fertilizantes.
Para o Brasil, a situação é mais sensível. O país importa cerca de 88% dos fertilizantes que consome. Em 2025, foram 49 milhões de toneladas utilizadas, sendo mais de 43 milhões importadas, o que amplia a exposição a choques externos.
Nesse contexto, o produtor deve acompanhar a evolução do conflito, o preço do gás natural, a logística na região e o comportamento do câmbio. Experiências recentes mostram que crises geopolíticas podem elevar rapidamente os preços, comprimindo margens quando os custos avançam mais que as commodities. Assim, planejamento e gestão de risco ganham peso no campo.
“Quando fertilizantes sobem e commodities não acompanham na mesma intensidade, o resultado é direto: compressão das margens do produtor. Mais do que nunca, gestão de risco e planejamento de compras se tornam fatores estratégicos no agronegócio. Porque no agro, muitas vezes o risco não está na lavoura — está na geopolítica”, conclui.
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