A rotatividade de culturas é uma estratégia adotada no campo para preservar o solo e garantir maior eficiência produtiva ao longo dos ciclos agrícolas. As informações são de Luiz Carlos Moraes, técnico em agronegócio. A prática consiste em alternar espécies vegetais na mesma área de forma planejada, promovendo ganhos agronômicos e econômicos, especialmente em sistemas de produção de cana-de-açúcar.
No caso do canavial, a rotação é realizada geralmente durante a renovação da lavoura, que ocorre a cada cinco ou seis anos. Nesse intervalo entre a colheita da última soqueira e o replantio, são introduzidas culturas de ciclo curto, como soja, amendoim, milho ou crotalária. O objetivo é recuperar o solo, melhorar sua estrutura física e química e controlar pragas e doenças que afetam a cultura principal.
Entre as opções mais utilizadas está a soja, favorecida pela facilidade de comercialização e pela capacidade de fixação biológica de nitrogênio, contribuindo para elevar a fertilidade. O amendoim tem destaque em regiões como Ribeirão Preto, em São Paulo, podendo reduzir significativamente os custos de renovação. Já a crotalária é indicada para adubação verde e controle de nematoides.
A diversificação promove aumento de matéria orgânica, descompactação do solo por meio de diferentes sistemas radiculares e quebra do ciclo de pragas como o Sphenophorus levis. Também possibilita o uso de herbicidas com mecanismos de ação distintos, reduzindo a resistência de plantas daninhas. Em áreas com soja, o incremento de produtividade pode chegar a 30%.
Além dos ganhos agronômicos, há retorno financeiro, já que a cultura implantada na reforma pode ser comercializada antes do novo plantio da cana. A rotação costuma ocorrer entre outubro e novembro, com recomendação de plantio direto para conservação do solo. A prática é considerada essencial para a sustentabilidade e a longevidade da produção sucroenergética.
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